Prato Gaúcho: de R$ 200 a 2 mil marmitas em quatro meses

Renata criou, com o marido, um empreendimento para entregar comida boa aos clientes e qualidade de vida à sua família

Há quatro meses, Renata Soltis (à esquerda), 33 anos, combinou a vontade de empreender com a habilidade para cozinhar e R$ 200 para abrir o Prato Gaúcho (@pratogaucho_22), sua empresa dedicada a fornecer refeições bem servidas e saborosas em Sapucaia do Sul (RS), na Região Metropolitana de Porto Alegre. “No primeiro dia, vendemos apenas uma marmita. Mas mantivemos o foco, aprimoramos nosso trabalho diariamente e seguimos acreditando no sonho”, conta Renata. Números mostram que ele está se tornando realidade: ao completar 120 dias de funcionamento, a Prato Gaúcho ultrapassou 2 mil marmitas entregues.
Segundo Renata, um ingrediente que contribuiu para o sucesso do negócio foi a sua participação na Baita Empreendedor – Reconstrução. “Quando decidi estabelecer a marmitaria, me joguei na cara e na coragem, mas, em seguida, surgiu a possibilidade de participar do projeto, que foi uma oportunidade para eu adquirir conhecimentos necessários para fortalecer a gestão do negócio e dar os próximos passos com mais segurança. Tenho consciência de que ainda há muito a aprender e estou totalmente aberta a isso. Acredito que o avanço de um empreendimento depende da nossa disposição em evoluir constantemente”, amplia Renata.
O Baita Empreendedor oferece capacitação gratuita a partir da metodologia By Necessity, criada para viabilizar negócios entre pessoas em situação de vulnerabilidade e ajudá-las a conquistar melhor renda. Para isso, proporciona conteúdos sobre finanças, marketing, recursos humanos, entre outros temas, e orienta os participantes na elaboração de plano de negócios. Depois do período de aulas, o projeto oferece 90 dias de acompanhamento técnico aos egressos, para que suas ideias saiam do papel com mais chances de êxito.

“No Baita Empreendedor, aprendi o que é fluxo de caixa, o que é gestão financeira, entre outras coisas. E tudo isso me possibilitou chegar até aqui. A gente sabe que muitos negócios que começam como o meu, sem que o proprietário ou a empreendedora tenha conhecimentos em gestão, acabam quebrando. Os saberes que eu adquiri no curso eu levarei, com certeza, para toda a vida”, garante Renata.
O aprendizado ajudou a superar o susto inicial com as baixas vendas ao ensinar, por exemplo, sobre a necessidade de perseverança e resiliência, e a respeito de como melhorar a divulgação do Prato Gaúcho e sobre como abordar os clientes. “No início, imprimi um papelzinho numa folha normal, e acho que isso não passou credibilidade. Isso explica o fato de termos tido apenas um pedido no primeiro dia. Mas, no Baita Empreendedor, aprendi sobre as melhores formas de divulgar. Agora, já temos clientes fiéis e atendemos até uma empresa”, descreve a empreendedora, hoje responsável pelo atendimento aos consumidores, pela gestão administrativa e pela elaboração do cardápio.
Ela entende que o relacionamento com os fregueses é um dos diferenciais do Prato Gaúcho. A ele, soma-se a qualidade e o sabor da comida, sempre “bem temperadinha”. Na hora do almoço, a clientela pode encomendar o prato do dia, que é acompanhado de dois brindes: uma sobremesa e uma bebida. E à noite, o cardápio é composto por lanches.

O bom desempenho nos primeiros meses já motivou a gestora a contratar duas pessoas para ajudá-la com a preparação das receitas, o que acontece na cozinha da casa em que ela vive com o marido e duas filhas, uma de 11 anos e outra de 7 meses. Foi com vistas a proporcionar o bem-estar da família que o Prato Gaúcho foi pensado e começado, e é essa ambição que continua e continuará a impulsionar o negócio. “Hoje já pago as contas e sobra algum dinheiro. A gente consegue ter nosso lazer e tudo mais, a partir da marmitaria”, conta a empreendedora.
Uma de suas aspirações para um futuro não distante é ter um espaço dedicado apenas ao Prato Gaúcho, fora da casa da família, onde os clientes também possam fazer as suas refeições. “Nosso plano é conseguir isso até dezembro do ano que vem (2027)”, diz. Para além do trabalho, os sonhos de Renata incluem conquistar uma boa qualidade de vida e seguir aprendendo, para ser, sempre, um exemplo para as filhas. “Quero que elas sejam meninas trabalhadoras, dedicadas, sonhadoras, que busquem seus caminhos e conquistem seus objetivos”, conclui.



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