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Confeiteira se reinventa constantemente para fortalecer seu empreendimento

Foto do escritor: IGDS
IGDS
3 de set.
3 min de leitura

Amanda está à frente da Adocica Doceria há nove anos, e sua participação no projeto Baita Empreendedor pode dar novo impulso aos negócios


“Quando a gente empreende, há momentos em que as coisas vêm em ondas gigantes, outros em que elas são pequenas, e há horas em que não surge onda nenhuma. Mas é preciso se manter firme, persistir. A gente precisa saber se quer viver do nosso negócio ou sobreviver a partir dele. Eu quero viver do meu empreendimento. Esse é o meu maior sonho, meu maior objetivo”, afirma Amanda Beatriz Ferreira da Silva, 31 anos, referindo-se à sua jornada à frente da Adocica Doceria, iniciada há 9 anos, e à sua participação no Baita Empreendedor Reconstrução, projeto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.


Confeiteira e salgadeira de mão cheia, Amanda mora no bairro Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre (RS), e foi aluna da turma-piloto do projeto. A iniciativa oferece gratuitamente cursos de empreendedorismo a gaúchos e gaúchas em situação de vulnerabilidade, residentes de municípios afetados pelas enchentes que atingiram o estado em 2024.


Apesar de já experiente na condução de seus negócios, Amanda decidiu participar do Baita Empreendedor quando viu a programação das aulas e identificou, entre os conteúdos, o termo “precificação” – um ponto em que tinha muitas dúvidas. “A experiência no programa foi muito construtiva. As aulas me trouxeram vários conhecimentos que passei a colocar em prática. Eu saía de cada um dos encontros com uma ideia nova, de mente aberta. Às vezes, é preciso estar em um ambiente compartilhado com outros empreendedores para que isso aconteça. Aprendi muito sobre o desenvolvimento financeiro do negócio, mas também a respeito da prospecção de clientes e sobre como fidelizá-los”, avalia.


O cuidado no preparo e na apresentação é a marca dos produtos feitos por Amanda na Adocica
O cuidado no preparo e na apresentação é a marca dos produtos feitos por Amanda na Adocica

Atualmente, a freguesia da Adocica Doceria concentra-se nas imediações de onde Amanda vive e elabora seus doces e salgados, em feiras que acontecem no próprio condomínio. No momento, aproveita o boom dos chamados “Festivais de Fatias de Tortas” na capital gaúcha. Nesses eventos, oferece uma diversidade de sabores e faz a venda fracionada em fatias generosas, o que permite atender à pluralidade de gostos da clientela. Em relação aos doces e salgados que produz, Amanda tem colecionado feedbacks favoráveis, e há quem já compre seus produtos regularmente há anos. “Acho que sou boa no que faço”, pondera, brincando.


Isso não acontece por acaso. Desde que resolveu abrir a Adocica, Amanda busca maneiras de aperfeiçoar as receitas que prepara. Faz cursos, vasculha a internet, procura inspiração em confeiteiros e chefs que são referências nas áreas em que atua. No caso da confeitaria, diz a empreendedora, assim como na moda, há segmentos e eles sempre incluem novidades. E é preciso estar atenta a elas. “Mantenho os produtos tradicionais no meu cardápio, é claro, mas sempre inovo. Os diferenciais que os clientes encontram quando buscam o Adocica incluem um leque de opções amplo, a qualidade e a personalização”, detalha.


Uma frente à qual ela se dedica no momento é a da chamada “confeitaria inclusiva”, que envolve a adaptação de receitas para torná-las seguras e saborosas para pessoas com restrições alimentares ou dietas específicas. Amanda incorpora gradativamente, ainda, novos utensílios e recursos à sua cozinha. A ideia é ampliar a produção para dar conta de uma demanda que é crescente entre todos os perfis de público que ela abastece. “Estou correndo atrás dos meus sonhos profissionais e pessoais, que acabam sendo muito próximos um do outro”, resume.


Afinal, a Adocica surgiu por necessidade e não foi fácil conduzi-la ao longo de quase uma década. Logo depois do nascimento de Enzo, seu primeiro filho (hoje ela é mãe também de Lucca, de 2 anos), ela ficou desempregada. Seu marido também estava sem trabalho naquele momento e, por sugestão da sogra, com quem passou a residir, a empreendedora decidiu testar se os seus dotes culinários, tão elogiados dentro de casa, agradariam os paladares fora dela. Deu certo, ainda que as tarefas maternais e diárias tenham interrompido, em alguns momentos, a trajetória da Adocica. “Conseguir conciliar a produção com as demandas do dia a dia me deixava muito sobrecarregada. Precisei recomeçar mais de uma vez. Porém, desde o final de 2025, estou focada na empresa, com uma visão clara e metas definidas sobre onde quero chegar”, finaliza.

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