Casa da Inovação leva inclusão digital a mais de 2 mil moradores de Queimados (RJ)
- IGDS

- 22 de abr.
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Crianças, jovens, pessoas com necessidades especiais e público 50+ estão entre os principais beneficiados pela iniciativa

Durante 28 meses de atuação, a Casa da Inovação Ziraldo, localizada no município de Queimados, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, consolidou-se como um polo de aprendizado, inclusão digital e convivência para a comunidade local. Inaugurado em junho de 2024 e em funcionamento até março de 2026, o espaço foi criado pela Secretaria Municipal de Projetos e Convênios em parceria com o Instituto Global de Desenvolvimento Sustentável (IGDS), com o objetivo de oferecer formações tecnológicas gratuitas e promover a inserção social e produtiva da população.
A proposta materializou-se por meio da oferta contínua de cursos livres e de uma programação diversificada, que ampliou horizontes e aproximou a população das tecnologias emergentes, contribuindo para a inclusão digital de diferentes públicos — de crianças a idosos. A iniciativa buscou estimular a criatividade, o desenvolvimento de novas habilidades e o fortalecimento de vínculos sociais, visando desenvolver vocações econômicas locais, contribuir para a melhoria da qualidade de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social e construir um futuro mais tecnológico e inclusivo para o município.
Ao todo, 2.048 alunos foram certificados nos oito ciclos formativos desenvolvidos no espaço de inovação e inclusão digital. Entre eles, 346 eram pessoas acima de 50 anos e 199 pessoas com deficiência — seja mental, motora, intelectual, visual ou auditiva, além de pessoas com autismo e TDAH. Em cada ciclo, com duração aproximada de dois meses, foram oferecidos sete tipos de cursos: Programação de Aplicativos, Digital Influencer, Criação de Games, Inclusão Digital 50+, Introdução à Robótica, Introdução ao Mundo Digital e Pacote Office e Marketing Digital.
Pelo menos 300 vagas simultâneas foram disponibilizadas a cada ciclo e preenchidas por meio de sorteios públicos, que priorizaram pessoas com deficiência, estudantes da rede pública, beneficiários de programas sociais e pessoas negras e pardas. As oportunidades contemplaram diversos perfis, organizados por faixa etária: kids, teens, jovens e adultos, além de pessoas acima dos cinquenta anos (50+).
Esse último público, que já acumulou mais de cinco décadas de vida, encontrou no espaço uma porta de entrada para o mundo digital — que começou a se expandir no Brasil a partir da década de 1990. Para esse grupo, o objetivo das capacitações foi promover autonomia e inclusão digital, tornando os alunos mais confiantes e preparados para utilizar, de forma produtiva e segura, ferramentas como editores de texto, aplicativos e redes sociais.
É o caso de Luiz Carlos da Silva, de 70 anos, um dos alunos que vivenciou e aprovou as aulas de Inclusão Digital 50+. Militar reformado, ele soube da oportunidade por meio de amigos que elogiaram o projeto. “Fui atraído por minha vontade de ter mais conhecimento na área da informática e me modernizar nas redes sociais”, relata.
Para ele, a experiência superou as expectativas, especialmente por proporcionar também seu primeiro contato com recursos de inteligência artificial. Luiz destaca ainda o acolhimento da equipe da Casa: “Foi uma experiência extraordinária, inesquecível. Os professores são pacientes e dedicados. Tudo foi incrível”. Hoje, ele vê na interação com outras pessoas um dos propósitos de sua rotina e pretende seguir estudando: “Quero fazer o curso novamente e avançar como influenciador digital”, afirma.
Estrutura que faz a diferença e potencializa o aprendizado

Funcionando em três turnos, a Casa da Inovação ampliou o acesso aos cursos para públicos diversos, incluindo trabalhadores com disponibilidade apenas fora do horário comercial. Além das salas de aula acessíveis, o espaço contou com ambiente gamer e uma área de coworking aberta à população, promovendo convivência e troca de experiências.
O modelo pedagógico foi estruturado para garantir a rotatividade entre os participantes, com o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico e ampliar o alcance social do projeto. Durante as aulas, os alunos utilizaram notebooks e celulares individuais, além de equipamentos de fotografia, som e robótica disponíveis para uso coletivo.
Cada curso teve carga horária média de 24 aulas presenciais, baseadas na metodologia maker, com foco em atividades práticas. A certificação foi concedida aos alunos que atingiram, no mínimo, 75% de presença. Ao longo das formações, os estudantes desenvolveram projetos autorais, apresentados em mostras internas que valorizaram o protagonismo e fortaleceram os vínculos entre os participantes, celebrando conquistas individuais e coletivas.

Um desses exemplos é Luciano Henrique de Andrade (à direita), de 14 anos. Com grande interesse pela área de tecnologia, ele pretende seguir carreira em Tecnologias da Informação e Comunicação. Ainda no Ensino Fundamental, já participou de três cursos na Casa da Inovação — robótica, criação de games e digital influencer. “Soube da Casa por meio de um amigo e logo fui atraído pela possibilidade de ampliar meus estudos sobre tecnologias”, conta Luciano, que se destacou pela desenvoltura e espírito de liderança.
Além de compartilhar seus planos para o futuro, o adolescente destaca a experiência vivida no projeto. “As turmas foram muito interessantes, porque não houve nenhum tipo de preconceito, seja de idade, por deficiência ou qualquer outro aspecto. A dinâmica das aulas foi muito boa, os professores explicam muito bem, é divertido aprender ali. A Casa é um espaço muito importante, até porque hoje tudo gira em torno da tecnologia”, afirma. Enquanto sonha em fazer um intercâmbio para aprender inglês, Luciano segue investindo em conhecimento — escolha que recomenda a todos. “Os cursos podem mudar vidas. Com mais conhecimento, mais portas se abrem para cada um e para o futuro”, conclui.
Para além das aulas: experiências que ampliam o impacto
Em 2025, a Casa da Inovação ampliou sua atuação para além dos cursos regulares, passando a oferecer também eventos de inovação e atividades de articulação com o ecossistema local, conectando estudantes, empreendedores e iniciativas da cidade. Entre as ações especiais, destacaram-se feiras de empreendedorismo, oficinas de Inteligência Artificial e Impressão 3D e o Cine Inovação, que uniu lazer e aprendizado por meio de sessões de filmes relacionados à temática tecnológica.

A diversidade de oficinas e atividades ampliou o alcance e o impacto do projeto, consolidando o espaço como um ambiente de troca de experiências, diálogo e descoberta de talentos, e reforçando seu papel como agente de transformação social. Essas iniciativas também contribuíram para fortalecer os vínculos com a comunidade e ampliar as oportunidades de aprendizagem.
Para a população, os resultados são concretos: jovens que tiveram ali o primeiro contato com programação, robótica, games e produção de conteúdo digital; mulheres que passaram a enxergar na tecnologia uma ferramenta de autonomia econômica; e idosos que superaram barreiras no uso do computador, conquistando mais independência no acesso a serviços e na comunicação. Para o município, a Casa da Inovação se consolidou como um ativo estratégico, alinhado à agenda de desenvolvimento local, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo e inovação e para a ampliação da empregabilidade.




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