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Baita Empreendedor: começa a capacitação de 7 mil gaúchas e gaúchos

  • Foto do escritor: IGDS
    IGDS
  • 7 de mai.
  • 4 min de leitura

Projeto conduzido em parceria com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul fomenta novos negócios em mais de 100 cidades.


Alunos de uma das turmas do Baita Empreendedor com seus projetos de negócios
Alunos de uma das turmas do Baita Empreendedor com seus projetos de negócios

Porto Alegre (RS), Canoas (RS) e Esteio (RS) receberam as primeiras turmas do projeto Baita Empreendedor Reconstrução, que atenderá, gratuitamente, 7 mil pessoas com cursos sobre como abrir e gerir negócios. Serão beneficiados residentes em condições de vulnerabilidade social de 103 municípios do Estado. As localidades foram selecionadas considerando os impactos negativos ocasionados pelas enchentes de 2024, evento climático que afetou 478 das 497 cidades do RS.


O Baita Empreendedor é realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), com recursos do Fundo Estadual de Apoio à Inclusão Social (FEAIS). A capacitação utiliza a metodologia By Necessity, já aplicada com sucesso em 29 países. Ao longo de cinco dias de encontros presenciais, os inscritos aprendem sobre finanças, marketing, recursos humanos e pesquisa de mercado, entre outros temas essenciais para o sucesso de um empreendimento. Saem das aulas com planos de negócios elaborados e, em seguida, ao longo de 90 dias, recebem consultoria personalizada de especialistas, que os ajudam a fazer as ideias prosperarem. O Baita Empreendedor prevê, ainda, o repasse de capital semente para apoiar a estruturação de novos negócios.


“A parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social nasceu de uma convergência muito clara de propósitos. O poder público identificou a necessidade de ações estruturantes de inclusão produtiva após os eventos climáticos de 2024, e o IGDS possui uma metodologia consolidada para trabalhar o empreendedorismo por necessidade. A partir desse alinhamento técnico e estratégico, estruturamos o Baita Empreendedor Reconstrução, que une a política pública com a expertise de nossa instituição em capacitação, incubação e acompanhamento de pequenos negócios”, explica Victória Melo Martins, coordenadora da iniciativa por parte do IGDS.


Objetivos e acesso


O dicionário Priberam define o termo “baita”, usual no Rio Grande do Sul, como um adjetivo de dois gêneros, informal, e com significados variados, que incluem “bem desenvolvido”, “de boa qualidade”, “corajoso”, “destemido”, “valente”, “famoso”. Ele traduz tanto objetivos da iniciativa – de viabilizar empreendimentos sustentáveis, impulsionar economias locais e fortalecer o protagonismo nos territórios atendidos – quanto sentimentos, aspirações e qualidades com que gaúchas e gaúchos comumente se identificam. “Esperamos ver milhares de pessoas transformarem ideias em negócios, o que fortalece suas comunidades e permite que retomem o protagonismo sobre seus próprios futuros. É um projeto de impacto social profundo, com potencial de deixar um legado duradouro no estado”, avalia Victória.


Segundo a coordenadora, a execução do Baita Empreendedor seguirá um cronograma escalonado, conforme a adesão formal dos municípios. A divulgação sobre as oportunidades de capacitação ocorre de forma articulada com as gestões das cidades, via canais institucionais locais, equipamentos públicos e redes de assistência social, bem como por intermédio de ações territoriais de mobilização, garantindo que a informação chegue efetivamente ao público-alvo. A formação de turmas ocorre conforme a adesão nos municípios, de maneira a proporcionar o acesso à qualificação nas diferentes regiões do Estado. As vagas nos cursos são destinadas a quem está inscrito no Cadastro Único (CadÚnico), com atenção prioritária às famílias atendidas pelo Programa Família Gaúcha.


Empreender para não desistir dos próprios sonhos


Cláudia Elisângela Coelho Vaz, 41 anos, enquadra-se nesse perfil e foi uma das participantes da primeira turma em Canoas (RS), onde vive com o companheiro e quatro filhos. Residente há 8 anos no Mathias Velho, um dos mais populosos e extensos bairros do estado, fortemente atingido pelas enchentes de maio de 2024, a cozinheira buscou o Baita Empreendedor com a expectativa de adquirir conhecimentos para voltar a empreender. Cláudia, no momento, presta serviços a clientes que a chamam para trabalhar em eventos, preparando iguarias ao gosto do contratante, in loco. Sua aspiração, contudo, é voltar à produção e venda direta de salgados e outros pratos para festas, atividade que ela interrompeu pela baixa lucratividade.


Cláudia, aluna do Baita Empreendedor, sonha em abrir o próprio restaurante
Cláudia, aluna do Baita Empreendedor, sonha em abrir o próprio restaurante

Não à toa, ela elegeu o conteúdo sobre precificação como o mais interessante para ela nas aulas do Baita Empreendedor. “O curso foi uma forma de eu conhecer coisas novas, para eu pegá-las e usá-las quando voltar a ter meu negócio. Participar foi muito importante para eu me organizar nessa parte financeira. Vi realmente quais eram os meus erros, e não vou mais pecar nessa parte. Agora vou amadurecer as ideias, reunir as ferramentas e conhecimentos que adquiri, e colocar meu plano em prática”, garante.


O primeiro passo a ser dado, segundo a Baita Empreendedora de Canoas (RS), será em direção à retomada da produção e das vendas dos salgados. Cláudia estima que, em agosto, estará pronta para isso. Considera que o mais difícil para empreender no ramo da alimentação é a concorrência. Para superá-la, aposta em qualidade. Um de seus preceitos é o de que um bom salgado deve ter muito recheio e pouca massa, para não decepcionar os consumidores, fidelizar a clientela e ativar o famoso marketing “boca a boca”.


O segundo passo que ela pretende dar é abrir um restaurante de comida caseira, onde servirá os pratos que aprendeu desde pequena. “A gastronomia, para mim, mais do que um trabalho, é um hobby. Comecei a cozinhar aos 12, então, no meu caso, é uma atividade natural. Aqui em casa, a gente trabalha no ramo porque ama o que faz”, descreve ela, cujo companheiro, Róger, é garçom e churrasqueiro.


A expectativa é de que as conquistas nos negócios venham acompanhadas por uma outra: uma nova casa para a família. A empreendedora espera ser contemplada no programa Compra Assistida, integrante do Minha Casa Minha Vida Reconstrução, que concede subsídios de até R$ 200 mil para a compra de moradias (novas ou usadas) a famílias afetadas pelas enchentes de 2024. “São os meus sonhos no momento. A casa e o restaurante. E, se a gente tem sonhos, não pode desistir deles, independentemente das dificuldades que encontramos pelo caminho”, finaliza.


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